Relatório e Contas 2025

Um futuro positivo para a floresta
6.º relatório de progresso
Políticas, compromissos e progresso

Iniciativas multi-stakeholder para a conservação dos ecossistemas

Para apoiar a preservação e regeneração dos ecossistemas, em 2025 continuámos a investir em iniciativas multi-stakeholder, alinhadas com os dez princípios estabelecidos pela FPCoA.

Paisagens sustentáveis no Mato Grosso (Brasil)

Uma das nossas iniciativas multi-stakeholder mais relevantes é o projeto Mato Grosso, no maior estado produtor agrícola do Brasil, no qual colaboramos com o Amazon Environmental Research Institute (IPAM), a Nestlé e a Sainsbury’s.

Esta iniciativa tem como objetivo criar as condições e implementar processos de governação capazes de transformar as paisagens de produção de soja e de carne bovina, assegurando a conservação e a restauração de florestas e ecossistemas, a proteção dos direitos humanos dos povos indígenas e das comunidades locais tradicionais, bem como a melhoria das práticas de produção e dos meios de subsistência dos pequenos agricultores.

Em 2025, foram registados progressos significativos em quatro pilares:

  • Produção: seis explorações agrícolas (abrangendo 18.000 ha) foram preparadas para certificação RTRS, e três explorações (14.000 ha) integraram o programa de agricultura regenerativa Reg.IA, dando início à monitorização de carbono, solo e produtividade. Na pecuária, foram introduzidas melhorias para assegurar a rastreabilidade individual de 2.000 animais, a certificação de bem-estar animal e o desenvolvimento de planos de recuperação de pastagens.

  • Conservação: foram identificadas vinte famílias com potencial para integrar o programa CONSERV Smallholders e foi concluído um levantamento de cerca de 400 stakeholders relevantes, com vista à estruturação de esquemas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) nos municípios participantes. Adicionalmente, foram preparados e submetidos 26 registos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e revistos outros 21, reforçando a regularização ambiental dos pequenos produtores.

  • Restauro: foram implementados 25 hectares de sistemas agroflorestais (SAFs) em Tangará da Serra, beneficiando 25 novas famílias com assistência técnica, matérias-primas e distribuição de mudas certificadas. A cadeia regional de produção de mudas foi reforçada através do apoio a três viveiros: a construção do novo viveiro municipal de Sapezal, a reestruturação do viveiro da EMPAER em Tangará da Serra e a regularização do Viveiro Mendes em Acorizal.

  • Inclusão: foi iniciado um diagnóstico da situação fundiária dos territórios e foram mapeados 92 grupos de agricultura familiar e comunidades indígenas (associações, cooperativas e sindicatos), lançando as bases para futuras ações de reforço socioeconómico e organizacional.

Os progressos alcançados até ao momento evidenciam o sucesso de estratégias colaborativas assentes na governação participativa, na inovação técnica e no envolvimento das comunidades.

Apoio a projetos de proteção da biodiversidade e regeneração de ecossistemas

Enquanto especialistas na comercialização de produtos perecíveis – como carne, pescado, fruta e legumes –, as nossas atividades dependem diretamente da biodiversidade e dos serviços prestados pelos ecossistemas. Por essa razão, reconhecemos o impacto que as nossas operações podem ter sobre estes mesmos ecossistemas naturais. Para reduzir os nossos impactos e contribuir para a proteção da biodiversidade nos países onde operamos, definimos iniciativas concretas, complementadas por apoios financeiros, tanto contínuos como pontuais. A tabela abaixo apresenta uma breve descrição das ações mais relevantes, identificando o seu âmbito na cadeia de valor (a montante, nas operações próprias ou a jusante) e as políticas internas que as suportam, assegurando o alinhamento com os objetivos do Grupo.

Cada ação é classificada de acordo com os quatro níveis da hierarquia de mitigação AR3T – evitar, reduzir, restaurar e regenerar e transformar – proposta pela Science-Based Targets Network (SBTN), que estabelece uma ordem de priorização para abordar os impactos negativos das empresas na biodiversidade e nos ecossistemas.

Iniciativas e ações para redução de impactes e proteção da biodiversidade

Iniciativa

 

Âmbito na cadeia de valor

 

Ações

 

Hierarquia de mitigação

 

Políticas associadas

Combate à desflorestação

 

Montante das operações próprias

 

Assegurar que o óleo de palma, a soja, o papel, a madeira e a carne de bovino utilizados nos nossos produtos de Marca Própria e perecíveis não estão associados à desflorestação ou à conversão de ecossistemas (DCF – Deforestation and Conversion‑Free).

 

Evitar

 

Política Ambiental

Política de Compras Sustentáveis

Código de Conduta de Fornecedores

 

 

Dar prioridade ao sourcing com certificação de sustentabilidade (por exemplo, RSPO, RTRS, FSC®) sempre que as matérias-primas tenham origem em áreas de risco não negligenciável.

 

Evitar

Reduzir

 

 

 

Aumentar a rastreabilidade das matérias-primas até ao nível do país ou da região de origem.

 

 

 

Jusante

 

Investir em iniciativas multi-stakeholder destinadas a apoiar a preservação e a regeneração dos ecossistemas – por exemplo, o projeto Paisagens Sustentáveis no Mato Grosso (Brasil).

 

Restaurar &
Regenerar

Transformar

 

Política Ambiental

Agricultura Sustentável

 

Montante

 

Partilhar boas práticas agrícolas com fornecedores de fruta, legumes e flores nas explorações agrícolas em Portugal.

 

Evitar

 

Política Ambiental

Política de Compras Sustentáveis

Código de Conduta de Fornecedores

 

 

Calcular o índice de sustentabilidade das explorações dos nossos fornecedores e avaliar o seu nível de alinhamento com as dimensões ambiental, agronómica, económica e social.

 

Evitar

Reduzir

 

Sensibilização, preservação da biodiversidade e regeneração de ecossistemas1

 

Jusante

 

Apoiar projetos alinhados com o Kunming‑Montreal Global Biodiversity Framework em Portugal, na Polónia e na Colômbia, os países onde temos as nossas operações de maior dimensão.

 

Evitar

Reduzir

Restaurar & Regenerar

 

Política Ambiental

Certificações de sustentabilidade

 

Operações próprias

 

Aumentar as vendas de produtos de Marca Própria e perecíveis e/ou das respetivas embalagens com certificações de sustentabilidade.

 

Evitar

Reduzir

 

Política Ambiental

Política de Compras Sustentáveis

Código de Conduta de Fornecedores

 

Montante

 

Promover a certificação de sustentabilidade dos nossos fornecedores (por exemplo, RSPO, RTRS, Global G.A.P.).

 

 

1

A adoção desta iniciativa não resulta de impactes diretos da atividade do Grupo.

Em 2025, investimos mais de 330.000 euros no apoio a 12 projetos – sete em Portugal, três na Polónia e dois na Colômbia – focados na recuperação de habitats naturais, na proteção da diversidade biológica e na sensibilização ambiental. Para mais informações, conheça alguns dos projetos mais relevantes de proteção da biodiversidade e regeneração dos ecossistemas que apoiámos em 2025.

Bens perecíveis
Produtos com um prazo de validade limitado e que requerem um armazenamento adequado para evitar que se estraguem, por exemplo, frutas frescas, vegetais, alimentos prontos a consumir, carne e peixe vendidos ao balcão e produtos lácteos.

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