Óleo de palma
No âmbito da cadeia de abastecimento do óleo de palma, definimos um conjunto de medidas e metas alinhadas com o roadmap do FPCoA. No âmbito do primeiro eixo deste roadmap – focado na nossa própria cadeia de abastecimento –, o plano de ação visa reforçar a transparência, assegurando a rastreabilidade, pelo menos, até ao país de origem. Paralelamente, pretendemos garantir que a produção de óleo de palma não contribui para violações dos direitos humanos, desflorestação ou conversão de ecossistemas de Alto Valor de Conservação (AVC), incluindo florestas com elevado teor de carbono e áreas de turfa.
O nosso objetivo é assegurar a origem sustentável do óleo de palma utilizado nos produtos de Marca Própria e perecíveis em todas as nossas insígnias. Nesse sentido, comprometemo‑nos a garantir que este óleo de palma é livre de desflorestação ou de conversão de ecossistemas de AVC. Para cumprir este objetivo, foram definidas duas datas-limite que asseguram o cumprimento dos critérios de não desflorestação e não conversão:
Novembro de 2005 – aplicável a florestas primárias e a áreas críticas para a proteção de ecossistemas AVC;
15 de novembro de 2018 – aplicável a ecossistemas de AVC e a florestas com elevado teor de carbono.
Progresso em 2025
Em 2025, 100% do nosso consumo de óleo de palma em produtos de Marca Própria e perecíveis totalizou as 92.473 toneladas. O aumento de 19,1% explica‑se sobretudo pela alteração na composição dos óleos alimentares, refletindo uma maior incorporação de óleo de palma e uma redução da utilização de soja, particularmente na Ara – aproximadamente 90% do volume total de óleo de palma é utilizado em óleos vegetais para cozinhar, um produto especialmente relevante para os consumidores na Colômbia.
Na Polónia e em Portugal, 100% do óleo de palma utilizado nos produtos de Marca Própria e perecíveis foi certificado pela RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil), sendo a maioria certificada segundo os sistemas Mass Balance e Segregated.
Esquemas de certificação RSPO na Polónia e Portugal (2025)
Embora a Colômbia seja um dos maiores produtores mundiais de óleo de palma, a proporção da produção local certificada pela RSPO continua a ser reduzida.
Esta limitação, em conjunto com o nosso compromisso de privilegiar as compras locais – conforme estabelecido na nossa Política de Compras Sustentáveis, com o objetivo de reduzir as emissões de carbono associadas ao transporte e promover o desenvolvimento local – cria um contexto particularmente desafiante para aumentar a incorporação de óleo de palma produzido na Colômbia e certificado pela RSPO nos nossos produtos.
Para dar resposta a este desafio, a Ara integra o “Acuerdo de Voluntades para la Deforestación Cero en la Cadena de Aceite de Palma en Colombia” (Acordo Voluntário para a Desflorestação Zero na Cadeia de Óleo de Palma na Colômbia) desde 2021, uma iniciativa liderada pelo Governo que visa assegurar que o óleo de palma utilizado no país não contribui para a desflorestação. Este acordo reúne diversas organizações da sociedade civil – incluindo a RSPO, a Proforest, a Tropical Forest Alliance e a WWF – e promove ações coletivas para melhorar a rastreabilidade até ao nível da plantação, assegurando, assim, que a produção local não está associada à conversão de ecossistemas. A iniciativa procura igualmente garantir que o óleo de palma importado para a Colômbia possui certificação de sustentabilidade, como a RSPO. Este enquadramento tem vindo a reforçar progressivamente os mecanismos de monitorização e verificação associados à desflorestação ligada ao óleo de palma na Colômbia.
Em 2025, 90% do óleo de palma utilizado nos produtos de Marca Própria e perecíveis da Ara teve origem na Colômbia, representando um aumento de 15 p.p. face a 2024. Deste volume, cerca de 41% foi certificado pela RSPO (menos 25 p.p. do que em 2024). No mesmo período, foi possível assegurar a rastreabilidade até à região de plantação de 94% do óleo de palma colombiano utilizado nos produtos de Marca Própria e perecíveis (menos 1 p.p. face a 2024). Este nível de rastreabilidade permitiu identificar origens nos Departamentos de Norte de Santander, Santander, Bolívar, Cesar, Magdalena, Meta e Casanare, distribuídos pelas quatro zonas produtoras do país (Zona Central, Zona Oriental, Zona Sudoeste e Zona Norte), bem como em 18 unidades de processamento em operação na Colômbia. No entanto, apenas 0,75%1 da desflorestação identificada pelas autoridades públicas colombianas está associada ao óleo de palma.
A combinação de elevados níveis de rastreabilidade, dos progressos na certificação RSPO e da reduzida taxa de desflorestação associada ao óleo de palma, sustenta a robustez da nossa estratégia DCF para esta matéria‑prima na Colômbia.
Relativamente ao óleo de palma utilizado nos produtos de Marca Própria e perecíveis da Ara que é adquirido fora da Colômbia, continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com os fornecedores para aumentar os níveis de certificação RSPO. Este esforço é sustentado pelo nosso compromisso de assegurar que todo o óleo de palma importado cumpre os critérios DCF.
Assumindo que:
para os países considerados como tendo risco de desflorestação e conversão, os esquemas de certificações físicas até ao nível “Segregated” são consideradas DCF;
6% do nosso consumo com origem Colômbia possui eventual risco de desflorestação (assumimos uma abordagem conservadora, dado não ter sido possível mapear 100% do consumo até ao nível da exploração agrícola);
a taxa de desflorestação associada ao óleo de palma colombiano (0,75%), conforme identificada pelas autoridades públicas, foi aplicada a 94% do nosso consumo (ou seja, à parcela para a qual foi possível assegurar a rastreabilidade até à área de origem da plantação);
podemos presumir que 68% (62.885 toneladas) do nosso consumo total de óleo de palma em 2025 estava livre de desflorestação e conversão de ecossistemas de AVC. Deste valor, 6% (4.067 toneladas) é proveniente de esquemas de certificação física DCF e 94% (58.817 toneladas) é gerido através de rastreabilidade e verificação DCF.
Ao desagregarmos o nosso consumo total – 81.323 toneladas em abastecimento direto e 11.150 toneladas em abastecimento complexo –, verificamos que:
nas cadeias diretas, 73% do volume (58.963 toneladas) cumpre os critérios DCF;
nas cadeias de abastecimento complexas, 35% (3.921 toneladas) estão alinhados com os nossos pressupostos DCF.
No caso das cadeias de abastecimento diretas, o facto de 73% do volume cumprir critérios DCF reflete, em grande medida, a utilização maioritária do óleo de palma como ingrediente direto em óleos alimentares na Ara. Nas cadeias de abastecimento complexas, os volumes considerados DCF são mais limitados, sobretudo devido à maior fragmentação da cadeia de valor e às restrições associadas à rastreabilidade a montante, bem como aos desafios na obtenção de óleo de palma certificado pela RSPO no modelo “Segregated” para derivados, amplamente utilizados como ingredientes em produtos processados.
Estes valores baseiam‑se na nova metodologia de cálculo DCF desenvolvida pelo FPCoA para o óleo de palma, aplicável a partir de 2024. Este método considera os sistemas de certificação física até ao nível “Segregated” estão em conformidade com a DCF. No entanto, ao incluir os volumes de óleo de palma certificados pela RSPO segundo o modelo “Mass Balance”, 80.842 toneladas (cerca de 87% do nosso consumo total em 2025) seriam classificadas como livres de desflorestação e de conversão de ecossistemas de Alto Valor de Conservação.
A inclusão do modelo de certificação “Mass Balance” no cálculo DCF, é uma medida que valoriza o investimento e o empenho dos nossos fornecedores de Marcas Próprias e perecíveis, uma vez que exige deles um conjunto adicional de esforços, tanto financeiros como operacionais. Estes esforços refletem os seus compromissos para reduzir o risco de desflorestação e conversão, bem como o respeito pelos direitos humanos e pela preservação da biodiversidade, associados à cadeia de abastecimento do óleo de palma. Ao reconhecer estes contributos, reforçamos também a progressão para práticas de produção mais responsáveis e alinhadas com padrões de sustentabilidade internacionalmente reconhecidos.
Status DCF do consumo de óleo de palma (2025)
Continuaremos a trabalhar para aumentar a rastreabilidade dos volumes de óleo de palma, em particular – e sempre que possível – assegurando a rastreabilidade até ao nível da plantação, de forma a conseguirmos constatar que a produção não está associada à desflorestação ou à conversão de ecossistemas de Alto Valor de Conservação (AVC).
Em 2025, alcançámos uma pontuação média de 8,2 no Shared Responsibility Scorecard da RSPO, o que representa uma melhoria de 0,8 pontos face a 2023 – e um desempenho acima da média do setor do retalho (4,6). A avaliação da RSPO considera cinco dimensões: transparência e legalidade, ambiente, questões sociais, sourcing e cumprimento das metas de certificação.
O nosso progresso no âmbito do óleo de palma encontra-se disponível para consulta nas nossas respostas à Comunicação Anual sobre o Progresso da Roundtable on Sustainable Palm Oil.
Envolvimento com fornecedores e traders
No âmbito do Elemento 2 do roadmap – o envolvimento com fornecedores e traders –, continuamos empenhados em comunicar de forma transparente as nossas expetativas e iniciativas a todos os intervenientes na nossa cadeia de abastecimento.
Em 2025 continuámos o trabalho, iniciado em 2014, de mapear a presença de óleo de palma nos produtos de Marca Própria e perecíveis. Para tal, enviamos questionários anuais aos fornecedores diretos para recolher informações sobre o tipo de certificação da matéria-prima utilizada e a origem da produção primária (pelo menos até ao nível nacional).
Comunicamos regularmente os nossos compromissos, progressos e políticas para a preservação das florestas e avaliamos as políticas e ações dos fornecedores no combate à desflorestação. O objetivo é aumentar a rastreabilidade da cadeia de abastecimento e mobilizar os fornecedores de Marca Própria e perecíveis para a adoção de compromissos e ações concretas nas suas operações, alinhados com as orientações do roadmap da FPCoA.
Em 2025, reforçámos este trabalho com os nossos principais fornecedores e identificámos as suas principais fontes de abastecimento, importadores, refinarias onde o óleo de palma é processado e o volume de matérias-primas certificadas (ver lista aqui). Conseguimos identificar os traders e os fornecedores a montante dos nossos fornecedores diretos que são responsáveis por mais de 70% do nosso consumo de óleo de palma proveniente de países com risco de desflorestação e conversão. Dos principais traders identificados (AAK, BASF, Bunge, Croda, IOI Group, Olenex, Oleoflores, Wilmar), que representaram cerca de 10% do nosso consumo de óleo de palma em 2025, seis foram avaliados pelo CDP e classificados com A (17%), A- (33%) e B (50%) no programa Florestas.
Até ao final de 2026, e em conjunto com os nossos principais fornecedores diretos, pretendemos aumentar a rastreabilidade ao nível dos traders envolvidos na cadeia de abastecimento e divulgar informação sobre o seu desempenho no combate à desflorestação e à conversão de ecossistemas naturais. Continuaremos também a envolver os fornecedores diretos mais relevantes em iniciativas e workshops, com o objetivo de identificar os seus compromissos no combate à desflorestação e à conversão, bem como de reforçar o alinhamento com os objetivos que definimos para a nossa cadeia de abastecimento de óleo de palma.
Em 2025, mantivemos um papel ativo em iniciativas multi-stakeholder a nível nacional:
na Polónia, através da participação da Biedronka na Polish Coalition for Sustainable Palm Oil (PKZOP), foi alcançado o objetivo de certificar 100% do óleo de palma (por exemplo, RSPO);
na Colômbia, através da Ara, continuámos a trabalhar no sentido de aumentar a certificação do óleo de palma proveniente de origens fora da Colômbia, conforme definido no “Voluntary Agreement for Zero Deforestation in the Palm Chain in Colombia”.
1 Dados revelados na análise do nível de desflorestação associada à produção de óleo de palma, realizada pelo IDEAM (2023) – Instituto de Hidrologia Meterorología y Estudios Ambientales e pelo Ministério do Ambiente Colombiano.