Cadeias de abastecimento diretas e indiretas
Enquanto retalhista alimentar, as nossas cadeias de abastecimento variam em função do tipo de produto, da origem das matérias‑primas e do número de intervenientes envolvidos. De forma geral, as cadeias de abastecimento podem ser classificadas como diretas ou complexas.
As cadeias de abastecimento diretas caracterizam‑se por uma estrutura relativamente simples, com menos intermediários ao longo da cadeia de valor. Nestes casos, as matérias‑primas são normalmente adquiridas diretamente a produtores, transformadores ou fornecedores de primeiro nível (Tier 1). Uma vez que o fluxo de matérias‑primas envolve menos etapas, a rastreabilidade é mais simples e a cadeia de abastecimento pode ser facilmente monitorizada até à exploração agrícola ou unidade de produção.
Por outro lado, as cadeias de abastecimento complexas envolvem múltiplos níveis e intermediários, incluindo comerciantes, agregadores, transformadores, importadores, fabricantes e detentores de marca. Devido ao envolvimento de diversos intervenientes, estas cadeias são, por natureza, mais intrincadas. Como resultado, a rastreabilidade torna‑se mais difícil, particularmente nas atividades a montante, como a alteração do uso do solo, a colheita ou a produção de alimentos para animais. A informação sobre a origem das matérias‑primas pode tornar‑se incompleta ou diluída à medida que os produtos avançam na cadeia de valor.
No que respeita às nossas cadeias de abastecimento diretas, e para cada uma das matérias‑primas relevantes com risco de desflorestação, consideramos as seguintes premissas:
Óleo de palma – Produtos que contêm óleo de palma bruto ou refinado, bem como óleo de palmiste, como ingrediente.
Soja – Produtos que contêm um mínimo de 5% de soja. De acordo com a Soy Measurement Ladder do CGF, incluem se as seguintes categorias:
Tier 1: Produtos em que a soja e os derivados de soja adquiridos diretamente (por exemplo, bebidas de soja, molhos de soja, óleo de soja, edamame) representam mais de 95% da sua composição.
Parte do Tier 5: Produtos em que a soja ou derivados de soja podem estar presentes de forma indireta, incluindo lecitina de soja em chocolate, óleo de soja em margarina e subprodutos de soja em cosméticos e artigos de cuidados pessoais, nos quais a soja representa entre 5% e 95% da composição total do produto.
Papel/madeira – Todos os produtos que contêm papel ou madeira como ingrediente.
Carne bovina – Produtos que contêm um mínimo de 5% de carne bovina.
Por sua vez, as cadeias de abastecimento complexas podem ser categorizadas do seguinte modo:
Óleo de palma – Produtos que contêm derivados de óleo de palma ou outras frações como ingredientes.
Soja – Produtos que contêm proteína animal proveniente de animais alimentados com soja, bem como produtos que contêm menos de 5% de soja como ingrediente. De acordo com a Soy Measurement Ladder do CGF, incluem‑se:
Tier 2: Soja utilizada na alimentação de animais como bovinos, suínos, aves, peixes de aquacultura e outras espécies, incluindo produtos frescos de carne e peixe.
Tier 3: Soja utilizada na alimentação de galinhas poedeiras, vacas leiteiras e outros animais produtores de leite, aplicada a produtos como ovos e laticínios (por exemplo, leite, iogurtes ou batidos), nos quais estes representam mais de 95% do produto final.
Tier 4a: Soja utilizada na alimentação de animais cuja carne é incorporada em produtos alimentares processados (como refeições prontas, enchidos, etc.), em que a carne ou o peixe representam menos de 95% do produto final.
Tier 4b: Soja utilizada na alimentação de animais cuja carne é incorporada em produtos alimentares, como bolos, smoothies e gelados, nos quais os ovos e laticínios representam menos de 95% do produto final.
Parte do Tier 5: Soja ou derivados de soja que podem estar presentes na cadeia de abastecimento, incluindo lecitina de soja em chocolate, óleo de soja em margarina e subprodutos de soja em cosméticos e produtos de higiene pessoal, nos quais a soja representa menos de 5% do produto final.
Papel/madeira – Embalagens primárias, secundárias e terciárias que contêm fibras virgens de papel utilizadas em produtos vendidos nas nossas lojas.
Carne bovina – Produtos que contêm mais de 5% de carne bovina.
Principais commodities agrícolas com risco de desflorestação
A compra e o consumo de commodities agrícolas essenciais, como aquelas identificadas com maior risco de exposição à desflorestação, exigem uma monitorização cuidada. Compreender a presença e o impacto destas principais commodities nas nossas operações é fundamental para gerir os impactes ambientais, reforçar práticas de compras responsáveis e contribuir para a proteção dos ecossistemas naturais.
Into the forest
Em outubro de 2025, realizámos uma Conferência de Sustentabilidade dedicada às florestas, destacando o papel fundamental que estes ecossistemas desempenham nas nossas vidas e no setor do retalho alimentar. Sob o tema “Into the Forest”, o evento reuniu em Lisboa especialistas nacionais e internacionais, como Stefano Mancuso, Michał Zazada e Mark Plotkin, para debater soluções para enfrentar a desflorestação. Através de um conjunto de painéis dedicados às commodities mais associadas à desflorestação – óleo de palma, soja, carne bovina e papel/madeira, bem como café e cacau – destacámos, em conjunto com alguns dos nossos fornecedores, as medidas que temos vindo a implementar para assegurar uma compra mais responsável destas commodities.
Os dados indicam um perfil globalmente estável na utilização das principais commodities agrícolas associadas ao risco de desflorestação em 2025 face a 2024, sendo as variações observadas sobretudo reflexo de alterações no mix de produtos e da dinâmica operacional. Embora os volumes de óleo de palma e de papel/madeira tenham aumentado, incluindo ao nível das embalagens, a carne bovina e o volume total de soja mantiveram‑se relativamente estáveis, tendo a soja registado algum reequilíbrio interno entre compras diretas e indiretas. Dado que a soja indireta continua a representar a maior parte da exposição, este facto evidencia as características estruturais desta commodity e reforça a importância de esforços contínuos ao nível da rastreabilidade, da gestão da cadeia de abastecimento e da ação coletiva.
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Quantidade total (toneladas) |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Consumo das principais commodities agrícolas com risco de desflorestação na Marca Própria e perecíveis |
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2025 |
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2024 |
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Δ 2025/2024 |
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Óleo de palma |
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92.473 |
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77.667 |
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19,1% |
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Soja |
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511.370 |
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513.486 |
|
-0,4% |
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Soja (direta) |
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7.985 |
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21.061 |
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-62,1% |
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Soja (indireta)1 |
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503.385 |
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492.425 |
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2,2% |
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Papel e madeira |
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234.120 |
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212.152 |
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10,4% |
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Papel e madeira (produtos)2 |
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185.111 |
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170.751 |
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8,4% |
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Papel e madeira (embalagens)2 |
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49.009 |
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41.401 |
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18,4% |
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Carne bovina |
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40.885 |
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40.337 |
|
1,4% |
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Tendo em conta as diferenças estruturais entre cadeias de abastecimento diretas e complexas, os resultados da implementação dos compromissos DCF podem variar significativamente. Nas cadeias de abastecimento diretas, a maior proximidade aos fornecedores e uma maior visibilidade operacional permitem um progresso mais rápido e consistente rumo ao cumprimento dos critérios DCF, suportado por níveis mais elevados de rastreabilidade e controlo – como é o caso do óleo de palma, do papel/madeira e da carne bovina. Por outro lado, as cadeias de abastecimento de soja caracterizam‑se pela presença de múltiplos intermediários, origens geograficamente dispersas e uma capacidade limitada de verificação a montante, o que faz com que os resultados tendam a ser mais variáveis e difíceis de consolidar.
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Quantidade total (toneladas) |
|---|---|---|
Cadeias de abastecimento diretas e complexas por commodity |
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2025 |
Óleo de palma |
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92.473 |
Cadeia direta |
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81.323 |
Cadeia complexa |
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11.150 |
Soja |
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511.370 |
Cadeia direta |
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5.972 |
Cadeia complexa |
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505.398 |
Papel e madeira |
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234.120 |
Cadeia direta |
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185.111 |
Cadeia complexa |
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49.009 |
Carne bovina |
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40.885 |
Cadeia direta |
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39.347 |
Cadeia complexa |
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1.548 |
Países com maior risco de desflorestação e conversão de ecossistemas de AVC na nossa cadeia de abastecimento
Commodities
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Óleo de Palma
Colômbia, Equador, Malásia, IndonésiaEnquanto maiores produtores de óleo de palma do mundo, a Indonésia e a Malásia dependem fortemente desta indústria para o desenvolvimento económico, mas a sua expansão tem sido associada a uma grave perda de floresta e a danos ambientais. O maior produtor de óleo de palma na América Latina, onde menos de 1% da desflorestação no país está associada à produção de óleo de palma.
Como gerimos esta commodity?
Aumentámos a rastreabilidade desta commodity, destacando progressos na Colômbia, onde somos agora capazes de rastrear o óleo de palma até ao nível da plantação (com objetivo de atingir 94% até 2025). Nas nossas operações europeias, onde o Sudeste Asiático desempenha um papel relevante no fornecimento, alcançámos 100% de óleo de palma certificado RSPO nas Marcas Próprias e em produtos perecíveis.
Soja
Brasil, Argentina, ParaguaiCerca de 80% da produção mundial de soja concentra-se no Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina. A soja é utilizada tanto na produção alimentar como em aplicações não alimentares. No entanto, a maior parte destina-se à alimentação animal.
Como gerimos esta commodity?
Melhorámos a rastreabilidade da soja na nossa cadeia de abastecimento, particularmente no consumo indireto (como a alimentação animal). A percentagem de soja com origem desconhecida foi reduzida de 30% em 2020 para 3% em 2025.
Papel & Madeira
Indonésia, Estados Unidos, VietnameA produção de papel depende da celulose extraída da madeira. A Indonésia é um dos principais produtores mundiais de madeira, sendo a silvicultura um setor importante para os meios de subsistência rurais e para o abastecimento global de madeira.
Como gerimos esta commodity?
Aumentámos a certificação FSC® e PEFC das fibras virgens utilizadas nos nossos produtos e embalagens de 65% (em 2020) para 92% (em 2025). No caso do papel e da madeira utilizados nas embalagens, cerca de 79% das fibras são recicladas.
Carne Bovina
Brasil, Argentina, Colômbia, Estados UnidosSendo o maior exportador mundial de carne de bovino, abastecendo os principais mercados internacionais, a floresta amazónica no Brasil enfrenta pressões significativas de desflorestação, sendo a expansão de pastagens para gado a principal responsável por grande parte desse impacto.
Como gerimos esta commodity?
Embora a nossa exposição ao risco relativamente a este ingrediente seja muito limitada (cerca de 4% do nosso consumo), assegurámos a rastreabilidade para todas as origens de alto risco até ao nível do matadouro e reforçámos a monitorização dos fornecedores localizados em estados e municípios associados à desflorestação.
Cacau
Costa do Marfim, Gana, Camarões, Colômbia, NigériaO cacau é a base da economia da África Ocidental, sustentando milhões de pequenos agricultores e meios de subsistência rurais. A região produz mais de metade do cacau mundial, sendo o principal fornecedor a nível global.
Como gerimos esta commodity?
Conseguimos assegurar a rastreabilidade de 80% do cacau incorporado nas Marcas Próprias e em produtos perecíveis até ao país de origem.
Café
Vietname, Brasil, Equador, Colômbia, IndonésiaA produção de café robusta no Vietname é uma das maiores do mundo. No entanto, o setor enfrenta desafios crescentes devido às alterações climáticas e à procura global.
Como gerimos esta commodity?
No caso do café, 98% do volume nas Marcas Próprias e em produtos perecíveis foi igualmente rastreado até ao país de origem.
Status DCF
O cálculo do nosso consumo destas matérias-primas e dos volumes considerados DCF tem por base datas-limite para a não-conversão e desflorestação específicas para cada um destes ingredientes agrícolas. Os seguintes critérios são aplicados:
Risco negligenciável – A produção primária é considerada DCF em países onde o risco de desflorestação e de conversão do uso do solo é classificado como negligenciável.
Certificação – Em países identificados como tendo risco de desflorestação e de conversão do uso do solo, os volumes são considerados DCF quando abrangidos por sistemas de certificação física reconhecidos até ao nível Mass Balance (excluindo a compra de créditos).
Monitorização – Nos países identificados como tendo risco de desflorestação ou conversão do uso do solo, devem estar implementados mecanismos de controlo e monitorização DCF verificados, seja de forma remota ou no terreno, que assegurem a rastreabilidade e a verificação da ausência de conversão ou desflorestação até ao nível da plantação após a data-limite estabelecida para cada uma das commodities.
Informação adicional
As datas-limite específicas para cada uma das matérias-primas estão indicadas nas respetivas secções. A FPCoA disponibiliza também informações detalhadas sobre a metodologia DCF aplicável ao óleo de palma, soja, papel/madeira e carne bovina, bem como a lista de países onde o risco de desflorestação e conversão é considerado negligenciável.
No gráfico abaixo, são apresentados os percentuais DCF por cadeia de valor, evidenciando de forma clara as diferenças na exposição ao risco entre cadeias diretas e complexas para cada commodity. Esta análise permite-nos compreender e priorizar diferentes estratégias de rastreabilidade, verificação e mitigação, ajustadas ao nível de complexidade específico de cada cadeia de abastecimento.